Maio/2012

maio 23rd, 2012 § Deixe um comentário

Parte de nós

janeiro 15th, 2012 § 1 Comentário

Uma parte de nós não está no passado, não está nas gavetas e em álbuns folheados por visitas. Uma parte de nós anda pelas ruas, é plural e talvez nem se lembre de retornar e nos completar. Somos seres incompletos, não há quem sinta diferente até que encare Deus como espelho, equivocadamente. Parte de nós se pode descobrir, no entanto, permanece andando por outros lados, outras ruas, exercendo outras funções e compartilhando outros sentimentos. As partes sentem a necessidade de completude, mas se dividem, isso num processo natural. Parte de nós é assim, parte. Não fica no passado, divide-se pra viver em mais corpos. Encontrar-se pode vir a ser um simples rever e conversar com amigos, aqueles que não serão esquecidos por sua memória mais íntima. É com eles que elas, as partes, estão vivas. E como chamar de amigos quem, no fim, acaba se tornando nós mesmos? Parte de nós não é só parte.

Doses

novembro 27th, 2011 § Deixe um comentário

Admiro os gatos.
Eles espiam a comida, espiam
calados.
 
Não precisam falar
pra se sentirem satisfeitos.

Ideia

outubro 19th, 2011 § Deixe um comentário

Postagem verde
coração verde
ver verde par
que o dia é nuvem
sem concisão.

Nada de mais

outubro 19th, 2011 § Deixe um comentário

Poesia, palavra, Poesia,
Amor, sexo, Amor.

***

outubro 19th, 2011 § 1 Comentário

Tem horas que não consigo fingir,
é quando escrevo.
 
A escrita tem um ar de solidão
que acolhe a verdade em mim.

Infância

outubro 19th, 2011 § Deixe um comentário

AO POETA

outubro 18th, 2011 § Deixe um comentário

Muda de posição, poeta,
sê ganancioso ao topo
do sentir sem classe a carne.
 
Veja a garota transar, poeta,
sê a dor que ela abraçará
ao ter que se desfazer em parte.
 
Acalma a palavra distração,
inventa outra palavra, invenção.
Dê a ela a poesia inimaginável
mas não descanse em outro pedaço de papel.
 
A cama passou, a garota passou,
e você ver que tudo é continuação.
Outra cama passou, outra garota passou,
e outra vez foi você o idealizador
da eternidade em fragmentos.

Mammon

outubro 17th, 2011 § Deixe um comentário

Tenho o tempo que não é meu.
Tenho o deus que não me trás de volta.
Tenho o deus que me engana,
Que me devora.
 
Calço as sandálias da visita,
Sandálias trocadas,
Calçadão lá fora.

[homem diário]

outubro 17th, 2011 § Deixe um comentário

Quase lá

outubro 17th, 2011 § Deixe um comentário

Quase lá, disposto a partir
com meu sangue e amor aos fins não lucrativos.
 
Quase lá, perto dos bisavós
e dos fracassos abençoados por cânticos.
 
Quase lá, para conhecer outras casas
e outras faces iluminadas
que compensariam a dor das despedidas,
do choro e da dignidade urbana.
 
Quase lá, o trânsito não é um rio.
Ele não se renova.
Só envelhece, não dorme.
Ele mata.

Brincadeira Séria

outubro 17th, 2011 § Deixe um comentário

***

outubro 16th, 2011 § Deixe um comentário

… o isolarei em um verso,
poeta,
 
para que não cantes o sentimento das coisas
nem o mundo em redemoinho.

Poesia

outubro 16th, 2011 § Deixe um comentário

Posso ser instante e sentir
do outro lado do muro o poeta
 
o poeta vazio
ansioso por um sonho,
 
morrendo.

Soluço

outubro 14th, 2011 § Deixe um comentário

Dor que amansa o coração
e veste a alma de uma tão branca harmonia
entre vida e morte [...]
 
- é a Eternidade em anúncio.

Doses

outubro 13th, 2011 § Deixe um comentário

[um versinho, uma vontade
eu mentindo, mentindo...]

Esse teu amor

outubro 13th, 2011 § Deixe um comentário

Barroso, esse teu amor
espalhado
 
de sorriso dividido
disfarçado
 
silenciou o meu dia
magoado.
 
E agora fala, fala
sozinho.

#02 batendo nuvens

outubro 11th, 2011 § Deixe um comentário

Praça Pública

outubro 11th, 2011 § Deixe um comentário

Bolos de arroz, senhor?
Não estou com fome, menino.
 
São gostosos, feitos por minha mãe.
Não estou com fome, menino.
 
Tem de 2 reais, tem de 1 real.
Não estou com fome, menino.
 
Eu sim, estou com fome
Bolos de arroz, senhor?

Astros

outubro 9th, 2011 § Deixe um comentário

Éramos como grito,
fumaça de ontem.
Éramos como artes contrárias
e tão certas de si mesmas.
 
Dois becos que dão a outras ruas.
 
Éramos movimento
e pausa séria.
Éramos papeis a declarar
sonhos.
 
Vidas que se completam
em distância.